Terça-feira, 22 de Abril de 2008
A irrelevância do Pop Management
Há muito tempo dialogamos na UFRJ a respeito do sucesso da literatura Pop em administração. Direcionado a um leitor não especialista e, principalmente ao senso comum, este tipo de literatura costuma ser duramente condenada pelos intelectuais mais qualificados devido à sua superficialidade e simplificação excessiva.
John Kay, por exemplo, em artigo publicado no The economist e no Valor Econômico em 2002 intitulado "A simplicidade têm um preço", analisa o tempo de estudo necessário para o entendimento do Best-Seller "Quem mexeu no meu queijo" e conclui que o livro subestima a capacidade intelectual de seus leitores, uma vez que direciona a sua obra para leitores com 5 anos de educação escolar.
Pior, este Best Seller bajula os leitores de tal forma que não cria condições para que eles desenvolvam alguma capacidade criativa ou crítica, transmitindo a mensagem de maneira disciplinada ( WEBER,Max. Ensaios de Sociologia: _ O significado da disciplina), ou seja, de modo a estimular um comportamento alienado e automático.
Este tipo de postura busca ainda a univocidade de sentido. Ou seja, quer-se induzir seus leitores a atribuirem sentido semelhante às suas ações através de uma abordagem retórica que faz apelo ao turpitudo: Não se pode questioná-lo uma vez que este sentido é inevitável! Ou o usamos da maneira mais eficiente possível ou não sobreviveremos no mundo moderno!
Infelizmente a fabricação em escala de individuos disciplinados e sem subjetividade aparente, vêm sendo estimulada desde o desenvolvimento da burocracia, num contexto em que sua eficiência torna-a a melhor maneira de racionalizar as ações sociais em busca de uma finalidade específica: surge para garantir o estamento, a eficácia e o poder de um conjunto de sacerdotes hierocratas no âmbito da Igreja, estende-se à organização do Estado, através da ação dos princípes que buscavam diminuir o poder do Clero e ampliar a eficiência do Estado; chegando posteriormente à organização militar, que através dela tornam-se mais eficazes que os exércitos baseados na cavalaria e, mais tarde, à gestão empresarial, onde a burocracia inaugura a administração.
A eficiência relativa da burocracia, em seu tipo puro, que inclui uma estrutura organizacional funcionalista, demanda profissionais alienados e executantes acriticos, capazes de cumprir ordens com eficiência e incapazes de inovar e raciocinar criticamente em relação aos fins e aos valores implícitos em suas ações. É este tipo de profissional que desenvolvemos em nossa educação tradicional, avaliada em função da quantidade de conhecimento decorado, estando de tal forma incorporada aos hábitos hodiernos que costuma-se estimar a capacidade dos universitários por meio de sua capacidade de responder perguntas em modelos de múltipla escolha ou no estilo "palavras-cruzadas".
Este é o papel majoritariamente cumprido pela literatura Pop Management na sociedade contemporânea: reforçar o discurso da sobrevivência e da inevitabilidade, para "formar pessoas" acriticas e disciplinadas para serem empregadas de organizações burocráticas onde o diálogo e a comunicação são considerados "ameaças" que precisam ser "gerenciadas" em seus fundamentos culturais e tecnológicos. Esta também têm sido a função dos programas de treinamento e desenvolvimento(?) organizacional hodiernamente.
Cabe aqui a pergunta: Seria o mesmo efetivamente inevitável ? Seria essa a sua possibilidade mais relevante no contexto social e organizacional? O título desse artigo sugere que não. Em breve publico o porquê.
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