terça-feira, 22 de janeiro de 2008

O sucesso da Top Model Gisele Bundchen

Na primeira postagem do laboratório apontamos a modelo Gisele Bundchen como exemplo de uma postura inovadora cuja essência apresentaria semelhanças com os princípios do movimento antropofágico. Fiz esta inclusão motivado pelo sucesso da modelo num ambiente profissional aprioristicamente exótico, uma vez que o mundo da moda seria um produto incorporado pela nossa cultura a partir de um modelo estrangeiro.
Sustentar esta afirmação demandaria uma investigação profunda e que provavelmente não convergiria com os objetivos do LEESE. Os índios viviam quase pelados, mas o povo brasileiro é resultado do encontro de três raças que possíam suas modas relativas a relação entre as vestimentas, o papel social, e o prestígio de quem a veste. Falar em moda exótica em si mesma me pareceu desarrazoado.
Ainda assim, poderíamos explorar o papel da indústria da moda na cultura e suas especificidades. Sem dúvida alguma, a dinâmica desta relação modificou-se com a revolução indústrial, associando-se ao estamento e a renda de quem a veste, assim como sua posição nas relações de trabalho. A indústria da moda pode ter chegado ao Brasil por meios exóticos, como chegara a própria revolução indústrial. No entanto, e nisso consistiu meu equívoco, isto não impediu a indústria da moda de reinventar-se, transformando-nos e incorporando nossa singularidade na sua práxis e na sua produção.
Por isso a Top Model Gisele Bundchen é tão fantática. Ela soube compreender a indústria da moda e revolucioná-la, introduzindo a ginga, a sensualidade e o modo brasileiro de encantar e seduzir. Moda é sedução. É também estética, a capacidade de encantar o próximo e provocar a sensação de estar diante de uma visão bela, capaz de nos fazer esquecer a rotina cotidiana, libertando-nos e nos inspirando. Muito mais do que expressar um papel social e o estamento, é uma forma de reencantar o mundo desencantado pela razão.
Com essa ação, Gisele Bundchen levou ao mundo nossa história. Ouso dizer que explorou-a para conquistá-lo e fazê-lo ajoelhar-se diante dela e de nossa cultura. O samba, surgido em solo brasileiro e decorrente de nossa influência negra está em Gisele. Nossa informalidade dionisíaca, decorrente de nossa emotividade e vínculo comunitário substituiu a imagem apolínea das modelos sem subjetividade. Gisele é espontânea, transborda vida e sensualidade. É latina, brasileira, e justamente por isso, extremamente elegante.
A elegância típica da rainha que conhece a si mesmo, sua cultura, seu ambiente, e sabe enxergar além das aparências. é rainha não apenas por ser bela, mas principalmente por sua sabedoria, simpatia e ousadia.Trata-se de um espirito livre e realizador. Desculpe Gisele, sua postura não foi antropofágica, mas autêntica.
Você é uma inspiração para o nosso laboratório!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

O método viral

Não levem o LEESE muito a sério!
Nosso objetivo é aproximar as pessoas. Aproximar aqueles que trabalham e os que pesquisam a gestão corporativa brasileira. Suas linhas de pesquisas devem ser apropriadas por todos os profissionais que trabalham em grandes empresas, motivo suficiente para que conheçam o suficiente de administração para que possam tornar seu trabalho eficaz e realizador.
Muitas vezes percebemos o problema, mas não temos acesso aos recursos necessários para superá-los. Pode-se, com este comportamento, conformar-se com resultados medianos. Em outras ocasiões, não percebemos o anacronismo, o esgotamento estrutural, mas temos acesso a recursos adequados para ultrapassá-los. Através do LEESE e da troca de idéias resultantes, podemos não apenas reuní-los como colocá-los para trabalhar juntos, buscando as soluções que contribuirão para nossa realização profissional e humana.
Todos, portanto, estão convidados. LEESE significa promover o autodesenvolvimento convergente à realização profissional. Significa elaborar estratégias profissionais/planejamento de carreira bem formulados, que resultarão em eficácia empresarial e desenvolvimento econômico. Deve-se a isto a opção pelo método víral. Começamos as investigações, formulamos as perguntas, problematizamos o nosso trabalho e questionamos sua eficácia. Depois, agimos praticamente dentro de nosso ambiente profissional buscando inovar para torná-lo mais realizador e eficaz.
Aliás, começo inroduzindo minha primeira inquietação: Existe eficácia sustentada sem realização de cada profissional tomado individualmente?

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Fundamentos epistemológicos

Nosso método consiste em principiar as investigações que resultarão em pesquisas e ações profissionais. Não se trata de uma produção de conhecimento exclusivamente livresca ou encerrada na observação acrítica. Tampouco buscamos apenas compreender as relações de trabalho, a organização, suas metodologias de gestão e perspectivas estratégicas e posicionamentos competitivos.
O objetivo do LEESE é contribuir para o desenvolvimento econômico-social e a realização humana, privilegiando as ações administrativas capazes de promovê-los e fundando-o na comunicação intra-corporativa, no questionamento e no trabalho em equipe. Os argumentos postados almejam, portanto, a aplicação prática. O conhecimento se processa em interação com a ação no mundo concreto e busca realizar-se nele como um prolongamento do agente que o alinhe com o seu tempo, transformando seus potênciais em competências e resultando numa ação coletiva mais potente que o simples somatório das partes envolvidas. O enfoque é a articulação entre a produção e divulgação de conhecimentos e a eficácia profissional/empresarial.
O LEESE não possui espaço físico. Suas investigações são realizadas a partir dos recursos de outros laboratórios. Ele serve para formular a pergunta, para nos mostrar como desenvolver melhores práticas profissionais e onde buscar/produzir o conhecimento necessário para encontrar a excelência.
Sua criação deveu-se a minha participação no LABEDUCEMP, laboratório de educação estratégica empresarial do professor e pesquisador da UFRJ Luis Eduardo Posch de Carvalho e Silva, do qual tive a ousadia de me tornar membro em 2007. O LABEDUCEMP adota a inovadora metodologia do desconstrutivismo pedagógico desenvolvida pelo professor a partir da epistemologia genética de Piaget, do materialismo histórico de Karl Marx, a Filosofia de Nietzche e Wittgestein, o pensamento Druckeriano e as experiências profissionais do professor.
O LEESE assume a proposta de divulgar e comunciar minhas pesquisas científicas, metafísicas, artísticas e teológicas, na expectativa de que possa corroborar para que esta visão efetivamente se inverta em inovação e intraprendedorismo em conformidade com os seus objetivos práticos.

O que é o LEESE?

Você está no LEESE, o laboratório de empreendedorismo e estratégia empresarial de Felipe Ribeiro Pinto. Estamos apenas no começo, e todos aqueles interessados em conhecê-lo estão convidados e até intimados a participar com suas idéias, críticas, pesquisas e colaborações.
O LEESE nasceu quando me preparava para o vestibular. Estudava para a prova específica de Português na UFRJ, e estava no capítulo sobre o modernismo. Voltava a tomar contato com as correntes apresentadas na semana de arte moderna de 1922 após 7 anos. Estudava para entrar em administração na UFRJ depois de longa análise vocacional, experiência profissional de 3 anos em gestão, realização de cursos de empreendedorismo no SEBRAE, e uma fracassada escolha acadêmica anterior, quando cursara por dois semestres Publicidade e propaganda na PUC-SP. Desta vez não podia falhar, o que, felizmente, não aconteceu.
Nessa leitura, retomei o contato com os movimentos da época, e dois deles me chamaram a atenção: o movimento antropofágico e o movimento Pau-Brasil. O primeiro percebi que tinha resultado em uma série de ações em várias esferas sociais. Direta ou indiretamente. Inspirou o tropicalismo em 1960, a Bossa Nova, contém semelhanças com a metodologia de algumas escolas de administração como a FGV\SP, a desenvolvida por Florestan Fernandes na Escola Paulista de Sociologia, e até com o fantástico sucesso da nossa modelo Gisele Bundchen.
Entretanto, o movimento Pau- Brasil não me pareceu, e ainda não me parece, ter tido sucesso análogo. Não encontrei nenhuma justificativa coerente para isso. Esse movimento prega que exploremos nossas singularidades, transformando-as em objeto de exportação, repetindo o caminho do Pau- Brasil, primeiro produto brasileiro nativo exportado. Ainda acredito que temos muitas características únicas em nossa biodiversidade social e natural que podem conquistar o mundo, difundindo nossa cultura e nossa ecologia. Viabilizando nosso desenvolvimento e soberania.
Essa atração nasceu de um princípio que havia desenvolvido a partir de minha experiência na Mar&arte Playground: conciliar eficácia empresarial e desenvolvimento local. Nessa empresa, tive a oportunidade de conhecer a respeito das funções gerenciais. Tratava-se de uma empresa pequena, que fornecia os parques infantis de condomínios e obras públicas fabricados a partir de troncos de eucalipto citriodora tratados. Nosso principal concorrente era uma empresa estadunidense, por isso desenvolvi a estratégia de diferenciação focado na nossa vantagem territorial, explorando potencialidades nativas e nosso maior conhecimento da cultura nacional.
A empresa não durou muito tempo, apenas três anos intensos, mas serviu para motivar a realização de cursos sobre empreendedorismo no SEBRAE, onde esta perspectiva estratégica foi aperfeiçoada. Cheguei a elaborar o plano de negócios de uma empresa em que os parques infantis, pedagogicamente, conteriam em seu design a exposição de momentos marcantes de nossa história, com o 14 BIS, a caravela, a Igreja rococó, a oca, e alguns outros. Infelizmente, a falta de recursos técnicos e financeiros inviabilizaram a construção da empresa. Pelo menos, a questão da exploração de nossas potencialidades nativas, possivelmente relacionada com nosso subdesenvolvimento histórico, manteve-se latente, inspirando a criação do LEESE.
Durante a graduação na UFRJ, onde mais se faz pesquisa sobre o Brasil, no Brasil; percebi que nossa gestão organizacional está marcada pela absorção acrítica da tecnologia estrangeira, seguindo movimento que perpassa toda nossa cultura. A nossa corrupção, por exemplo, pode ser melhor compreendida se começarmos a problematizá-la com esse olhar. Absorvemos modelos institucinais exóticos, o que provocou estranhamento e um tipo peculiar de resistência, resultante das influências de nossos virtuosos religiosos e sua religiosidade concreta, das características de nossa imigração e nossa formação político-econômica. Chamo-a de resistência velada.
Quem quiser conhecer um pouco melhor sobre esta resistência nativa, está convidado a conhecê-la. Apresentei minha pesquisa sobre o assunto na Semana de iniciação científica da UFRJ de 2008, e quem quiser é só deixar seu email que a encaminho. Por ora, é preciso atentar que talvez a resistência à mudança dentro das corporações brasileiras, os modismos gerenciais, e nosso baixo índice de inovação tecnológica estejam relacionados com esses elementos culturais. Se isto for confirmado, de nada adiantarão os promissores MBA's no exterior ou nas universidades antropofágicas brasileiras. Estaremos sempre aquém de nossa capacidade, com potencialidade inexplorada e crise de excesso de competência em nossas empresas, univerdades, e laboratórios de pesquisas. Precisaremos de novas formas de ver e perceber o assunto, de novas idéias e metodologias inovadoras. O objetivo do LEESE é contribuir para que elas de materializam. Presunção? Talvez.
Vejamos o que Max Weber , criticamente interpretado, pensaria sobre isso:
" A [administração] é como a perfuração lenta de tábuas duras. Exige tanto paixão como perspectiva. Certamente, toda experiência histórica confirma a verdade _ que o homem não teria alcançado o possível se repetidas vezes não tivesse tentado o impossível. Mas para isso, o homem deve ser um LÍDER, e não APENAS um líder, mas também um HERÓI, num sentido muito sóbrio da palavra. E mesmo os que não são líderes nem heróis devem armar-se com a fortaleza do coração que pode enfrentar até mesmo o desmoronar de todas as esperanças. ISSO É NECESSÁRIO NESTE MOMENTO MESMO, ou os homens não poderão alcançar nem mesmo aquilo que é possível hoje. Somente quem tem a vocação da [administração] terá a certe za de não desmoronar quando o mundo, do seu ponto de vista, for demasiado estúpido ou demasiado mesquinho para o que ele deseja oferecer. somente quem, frente a tudo isso, pode dizer 'a despeito de tudo', têm a vocação para a [administração]." Crítica do seminário de MAx Weber Política como vocação, substituindo os termos política por administração.