quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Motivação e Amor

Tenho lido alguns dos artigos publicados sobre o tema motivação e estou cada vez mais convencido de que muitos deles baseiam-se numa interpretação equivocada do seu significado. Muitos deles buscam-no em sua etimologia ou semântica, quando deveriam buscá-lo no seu significado cultural.
Quero dizer com isso que a palavra motivação é usada no ambiente organizacional com significado específico e é nele que devemos buscar a sua compreensão, sob o risco de apresentarmos programas e políticas de motivação ineficazes por fundamentarem-se em premissas equivocadas.
Primeiro : ação, segundo Max Weber ( Economia e Sociedade), é a "conduta humana dotada de sentido", seja esse sentido consciente ou não. Logo, afirmar que motivação é atribuir um "motivo para a ação", é um equívoco derivado de leituras apressadas, feitas em "minutos". O motivo para a ação é uma redundância justamente porque ação é a conduta humana dotada de motivo.
Entretanto, quando usamos o termo "motivado" em gestão, não estamos procurando identificar os motivos ou o significado de determinada conduta humana. Estamos nos referindo a um sentimento que encerra o sujeito durante sua ação, fazendo-o comprometer-se com sua efetividade. Recorro ao termo Ágape, usado por Paulo Coelho (Diário de um mago e O alquimista) e também por Weber( Ensaios de Sociologia), para argumentar que a sensação que queremos identificar quando nos referimos à "motivação dos funcionários" é o ágape.
Ágape é um tipo de amor: o amor transcendental. Não é o amor faternal ou o amor conjugal. Ágape é o amor que sentimos quando atuamos em comunhão em busca da realização de uma obra e surge principalmente quando agimos com propósito. O Ágape é um tipo de amor muito discutido nas seitas e Igrejas por relacionar-se com o amor que acreditam que Deus espera dos homens: àquele que faz com que realizemos obras boas, em conformidade com sua Vontade.
Para nós, administradores, é importante refletirmos que tipo de conclusão essa nova forma de interpretar o significado da motivação pode acarretar em nossos modelos teóricos e programas de ação.
1. A motivação extrínseca, àquela acarretada por estímulos externos do tipo recompensa e punição, são mesmo capazes de gerar motivação? Caso contrário, como podemos então falar em motivação extrínseca?
2. A motivação intrínseca têm de estar ligada ao próposito: da organização e do trabalhador.
Isso me lembra Peter Drucker ( Introdução à administração), quando afirma que um dos objetivos da administração eficaz é tornar o trabalho produtivo e o trabalhador realizado. Precisamos deliberar o que é propósito e como alinhar a misão e a visão organizacional à carreira projetada para si por seus profissionais, ao trabalho desempenhado dentro dela e suas perspectivas de realização humana e inovação, e à imagem construída pela empresa em seu interior .
É assim que poderemos criar o ambiente propício ao trabalho motivado, com seus ganhos em produtividade e inovação, principalmente no ambiente hodierno, marcado pela competição baseada na destruição criativa, no intrapreneurship e na aprendizagem organizacional. Não será através de cenouras e porretes; prêmios em dinheiro ou status e ameaças de demissão, que deixaremos nossos profissionais motivados, mas alinhando seus propósitos existênciais com os propósitos empresariais.

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