Marx esclareceu que o capitalismo é um avanço em relação aos sistemas econômicos anteriores, argumentando que seu desenvolvimento traz, em germe, o sistema que o sucederá, sempre na expectativa de que este seja o sistema socialista que idealizara. A Teoria marxista do valor, inspirada no pensamento do economista David Ricardo, parte da constatação de que todo capital têm origem no trabalho e que, portanto, apenas a produtividade decorrente do trabalho deve ser remunerada todo o mais sendo roubo (1867).
Podemos perceber nestes apontamentos que (1) Marx concordava com a afirmação de Adam Smith (1776) de que a propriedade decorrente do trabalho é legítima e (2) que o materialismo histórico, metodologia de pesquisa desenvolvida por Marx a partir de uma crítica de Hegel (1844), levou o autor a concluir sobre a mais-valia não porque fosse absolutamente contra a remuneração obtida através da acumulação do trabalho humano em Capital, mas porque sua pesquisa histórica demonstrou que tal acumulação decorreu da expropriação do trabalhador e não da acumulação do trabalhador ( Acumulação primitiva do capital – CapXXV do livro 1 de O Capital).
Existe uma concepção filosófico-social de alienação em sua relação com a produção que complementa e aprofunda o pensamento exposto. Trata-se da concepção weberiana e aristotélica de alienação. Em Aristóteles, alienado é tudo aquilo que é forçado, ou seja, o que vêm de fora do sujeito, uma concepção de alienação muito mais profunda que aquela que a reduz à sua dimensão concreta. Weber (1963) aponta que a burocracia acarreta no aprisionamento da subjetividade uma vez que encerra o trabalho, fonte de emancipação e projeção da subjetividade humana, de acordo com as normas e regras determinadas pela organização burocrática racional e eficiente, orientada pelas decisões dos seus dirigentes. Weber percebe que o estado socialista nem acaba com a Mais-valia como aprofunda a rotinização da vida em sua forma mais eficiente, a burocracia. Ou seja, o socialismo científico em sua versão soviética aprofunda a alienação.
A burocracia está associada à lucratividade empresarial na sua relação com a eficiência, de modo que sua racionalidade permitiu o aumento da produtividade do trabalho rotinizado, proporcionando, no campo econômico, um indiscutível aumento da geração de riqueza e da distribuição de renda. Presentemente, no entanto, a economia da inovação insere o capitalismo numa nova etapa, na qual o recurso produtivo mais relevante se tornou o capital na forma de conhecimento e resultado da criatividade e inovação tecnológica. Deste modo, percebemos que o trabalho intelectual, da chamada classe média, se tornou o principal promotor do desenvolvimento econômico de modo que a organização burocrática se tornou desfuncional e anacrônica. Ora, o trabalho criativo e a inovação produtiva foram sufocados pela burocracia, fazendo com que economistas, administradores, filósofos e cientistas sociais buscassem maneiras de conciliar produtividade com a realização do trabalhador. Como exemplos têm-se Peter Drucker, Joseph Schumpeter, Bachelard e Domenico de Masi.
Atualmente, o trabalho precisa fomentar a inovação através de uma estrutura organizacional flexível e orgânica (MINTZBERG, Henry. Criando organizações eficazes, 2003), e na qual a subjetividade e o trabalho consciente do trabalhador se tornaram decisivos para a produtividade empresarial. Ou seja, no presente, o trabalho alienado é improdutivo e tornar o trabalhador produtivo e realizado se tornou o objetivo da organização produtiva e todos nós. E isto significa que, na contemporaneidade, o trabalho alienado está condenado à ineficácia, exigindo dos administradores e líderes empresariais competência para garantir a emancipação e realização do trabalhador, tornando-os produtivos, lucrativos, motivados e felizes.
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