quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Boa leitura Pop é possível!!!

Para aqueles que leram "A relevância do Pop Management", segue a recomendação de algumas obras que conseguem atingir os objetivos propostos para a literatura Pop naquele artigo:
Qual é a sua obra? de Mário Sérgio Cortella é um livro que gostei muito, onde o autor usa conceitos filosóficos em reflexões em torno da ética, do trabalho e da liderança. Contribui para que possamos identificar e nos preparar para realizar uma obra própria e autêntica, no espírito presente na maioria das postagens. Sua linguagem é simples e substantiva, competência nem um pouco trivial. Principalmente em se tratando de um Filósofo.
Nunca desista dos seus sonhos de Augusto Cury não é propriamente um Pop Management, mas um livro enquadrado como de auto-ajuda, classe de livros também marcada por muito preconceito e obras mal-feitas e alienantes. Augusto Cury consegue comunicar importantes questões psicanalíticas, usando como exemplo a história de sucesso de grandes líderes da humanidade, nos incentivando e ajudando a realizar os nossos sonhos e ter uma existência feliz. Ainda consegue superar algumas limitações presentes nas obras filosóficas e teológicas que fundamentam a busca da felicidade desde a Idade Antiga, mantendo a linguagem direta, simples, embora seja um pouco redundante como é típico na literatura Pop.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A sorte e o sucesso empresarial

Gostaria de dividir com meus colegas algumas impressões, acúmulos e reflexões sobre as relações entre a sorte e o sucesso empresarial. Observo que muitas das vezes esta relação é usada de maneira oportunista, ora numa tentava de minimizar o mérito de uma pessoa feliz e, portanto, bem-sucedida, supondo que o sucesso seja possível sem a virtude própria para a realização de cada atividade humana; ora para reduzir o impacto das variáveis exógenas que concorrem para o sucesso profissional, como se tais elementos não fossem decisivos para tal.
Desde Aristóteles, ainda na Idade Antiga, a Sorte foi considerada elemento decisivo na busca da felicidade. O Filósofo admitiu que, sem sorte, mesmo o mais virtuoso dos homens jamais alcançaria a felicidade, lembrando que, para o autor, isso significaria ser capaz de transformar em ato nossas potencialidades, focando naquelas capazes de gerarem as boas obras, servindo ao bem-estar geral e à satisfação pessoal.
Outro importante pensador, Nicolai Maquiavel, lembrado sempre pela literatura Pop Management pelo seu livro O Princípe, texto que marca a inauguração da Ciência Política como disciplina científica, estudou as causas que concorriam para a eficácia na administração pública realizada pelos princípes e concluiu que ela dependia da sua Virtude e da sua Sorte ao conduzir os negócios do Estado.
Paulo Coelho, no livro O Diário de um mago, recorre à sorte quando argumenta que "quando se está travando o bom combate o universo conspira a seu favor". Podemos perceber uma reminiscência cristã também em ditados populares entre executivos bem-sucedidos: "quanto mais trabalho, mais sorte eu tenho";"Deus ajuda quem cedo madruga". Com forte influência da ética protestante, o mundo corporativo incorpora a crença cristã segunda a qual, a obra, quando é boa, conta com a graça divina porque é produto da comunhão entre o Homem e Deus. Portanto, Ele ajuda quem "cedo madruga" desde que se esteja fazendo-o em conformidade com o bom combate, em direção à construção de algo bom.
O que se pode deduzir destes argumentos: teológicos, filosóficos, científicos e derivados da experiência prática de homens felizes em suas atividades?
1. Acredito que tais argumentos permitem concluir que a Sorte está ligada ao conceito de oportunidade. Ou seja, o ambiente geral precisa oferecer as condições que tornem possível a realização de uma determinada obra, entendida aqui como um bem que se prolonga para além de uma determinada ação, seja este bem algo concreto como um produto ou uma família; seja ele intangível como um serviço ou valor.
2. De fato, sem sorte pode-se não ser bem- sucedido mesmo estando bem preparado e dotado de um propósito consistente. No entanto, saber identificar e criar oportunidades faz parte da virtude necessária ao sucesso profissional, de modo que, saber analisar o ambiente, destacando os caminhos possíveis daqueles impraticáveis ou com baixa probabilidade de sucesso é muitas vezes a causa do fracasso de profissionais competentes mas que não sabem aplicá-las de maneira relevante e eficaz.
3. O desenvolvimento econômico-social e a felicidade humana depende da nossa virtude individual mas também da capacidade social/empresarial de construir um ambiente propício para ela. Logo, a qualidade de vida no trabalho, a remuneração justa, o desenvolvimento de metodologias de gestão coerentes e alinhadas com a nossa cultura, a implementação de uma cultura efetiva de qualidade nas empresas, e outros importantes elementos como os citados, devem ser vistos como críticos para a eficácia empresarial posto que a tornam possível, mas jamais devem ser consideradas como condições suficientes para tal.
Na economia autores como Adam Smith, Alfred D. Chandler Jr e Schumpeter, destacaram a importância da identificação e criação de oportunidades para a geração de riqueza, o desenvolvimento econômico e a eficácia empresarial. Na administração, a análise SWOT, a análise da indústria e da concorrência e outras metodologias desenvolvidas por consultores proeminentes como Michael Porter e o BCP Consulting Group, evoluem em direção à definição "certa" do negócio empresarial, capaz de garantir lucratividade e bem-estar como enfatizou Drucker.
Cabe aos nossos administradores a criação das oportunidades, ou seja, da Sorte, e aos profissionais aproveitá-las eficazmente. Na teoria parece trivial, mas o que você e sua empresa estão fazendo para superar os desafios práticos para implementá-los?

A motivação e o homem feliz

No meu último artigo,“motivação e amor”, comuniquei algumas reflexões sobre a motivação humana, procurando mostrar a relação entre a motivação, o ágape ou amor divino e o propósito, além de questionar a possibilidade efetiva da motivação “extrínseca”. Destaquei, portanto, a reminiscência teológica presente no seu significado corporativo, apresentando sua relação com o propósito, sem no entanto me ater a ela e a suas reminiscências últimas. Pretendo aprofundar melhor a base conceitual utilizada naquele artigo.
Ao contrário do que pode parecer, a relação entre o homem feliz, a ação humana e o ágape não surgiram no cristianismo, mas emergem do conceito de felicidade humana definido por Aristóteles como a referência para a sua ética do bem. Hodiernamente, quando se fala em ética pensa-se em um conjunto de regras e deveres e quando o objeto é a filosofia, pensa-se em reflexões encerradas no plano das idéias rejeitando a prática e mesmo opondo-se a ela.
Aristóteles não apenas contradiz estes conceitos como a própria idéia de felicidade e prazer como entendemos hoje. Quando falamos em “sermos felizes numa ação”, como em “O grupo garantia está sendo feliz ao estender a cultura meritocrática e competitiva da Ambev para toda a Inbev” e “a decisão da Fundação gestora da Varig de escorar sua lucratividade no protecionismo governamental foi infeliz”, estamos usando a definição aristotélica de felicidade: agir praticamente buscando alcançar os apetites humanos, satisfazendo nossas necessidades de auto-realização ou necessidades espirituais, desenvolvendo nossas qualidades essenciais ou competências distintivas e alcançando o sumo prazer, o mais completo prazer, único capaz de formar um “Homem feliz”, uma vez que não está limitado pelos incompletos prazeres do corpo, mas relaciona-se às necessidades preementes ao nosso ser.
Decorre das reflexões aristotélicas que o propósito é o apetite deliberado, isto é, uma Vontade humana de gerar uma boa obra, acompanhada de uma deliberação racional capaz de ajustar praticamente meios e fins de maneira coerente e virtuosa, tal que, além de meritória, será sábia, não permitindo o excesso ou a falta quantitativa nas ações que conduzirão ao sucesso e à felicidade, de modo a se formarem os hábitos e os costumes que tornarão o homem feliz e bem sucedido.
No que se refere à aplicação destes conceitos à gestão organizacional e à motivação no trabalho, o objeto deste artigo contribui para a superação do desafio gerencial acarretado pela necessidade de tornar o trabalho produtivo e o trabalhador realizado. Suponho que precisamos fazê-lo nos concentrando nas tarefas, que tanto precisam ser realizadas como enriquecidas para que se alinhem ao propósito do profissional e a sua trajetória de carreira, emergindo significados intracorporativos convergentes e a motivação intrínseca relativa ao trabalho demandado pela organização; condições necessárias para o cumprimento da missão organizacional e a obtenção da lucratividade que tanto buscamos como precisamos.

Motivação e Amor

Tenho lido alguns dos artigos publicados sobre o tema motivação e estou cada vez mais convencido de que muitos deles baseiam-se numa interpretação equivocada do seu significado. Muitos deles buscam-no em sua etimologia ou semântica, quando deveriam buscá-lo no seu significado cultural.
Quero dizer com isso que a palavra motivação é usada no ambiente organizacional com significado específico e é nele que devemos buscar a sua compreensão, sob o risco de apresentarmos programas e políticas de motivação ineficazes por fundamentarem-se em premissas equivocadas.
Primeiro : ação, segundo Max Weber ( Economia e Sociedade), é a "conduta humana dotada de sentido", seja esse sentido consciente ou não. Logo, afirmar que motivação é atribuir um "motivo para a ação", é um equívoco derivado de leituras apressadas, feitas em "minutos". O motivo para a ação é uma redundância justamente porque ação é a conduta humana dotada de motivo.
Entretanto, quando usamos o termo "motivado" em gestão, não estamos procurando identificar os motivos ou o significado de determinada conduta humana. Estamos nos referindo a um sentimento que encerra o sujeito durante sua ação, fazendo-o comprometer-se com sua efetividade. Recorro ao termo Ágape, usado por Paulo Coelho (Diário de um mago e O alquimista) e também por Weber( Ensaios de Sociologia), para argumentar que a sensação que queremos identificar quando nos referimos à "motivação dos funcionários" é o ágape.
Ágape é um tipo de amor: o amor transcendental. Não é o amor faternal ou o amor conjugal. Ágape é o amor que sentimos quando atuamos em comunhão em busca da realização de uma obra e surge principalmente quando agimos com propósito. O Ágape é um tipo de amor muito discutido nas seitas e Igrejas por relacionar-se com o amor que acreditam que Deus espera dos homens: àquele que faz com que realizemos obras boas, em conformidade com sua Vontade.
Para nós, administradores, é importante refletirmos que tipo de conclusão essa nova forma de interpretar o significado da motivação pode acarretar em nossos modelos teóricos e programas de ação.
1. A motivação extrínseca, àquela acarretada por estímulos externos do tipo recompensa e punição, são mesmo capazes de gerar motivação? Caso contrário, como podemos então falar em motivação extrínseca?
2. A motivação intrínseca têm de estar ligada ao próposito: da organização e do trabalhador.
Isso me lembra Peter Drucker ( Introdução à administração), quando afirma que um dos objetivos da administração eficaz é tornar o trabalho produtivo e o trabalhador realizado. Precisamos deliberar o que é propósito e como alinhar a misão e a visão organizacional à carreira projetada para si por seus profissionais, ao trabalho desempenhado dentro dela e suas perspectivas de realização humana e inovação, e à imagem construída pela empresa em seu interior .
É assim que poderemos criar o ambiente propício ao trabalho motivado, com seus ganhos em produtividade e inovação, principalmente no ambiente hodierno, marcado pela competição baseada na destruição criativa, no intrapreneurship e na aprendizagem organizacional. Não será através de cenouras e porretes; prêmios em dinheiro ou status e ameaças de demissão, que deixaremos nossos profissionais motivados, mas alinhando seus propósitos existênciais com os propósitos empresariais.