"Por que resolveu apostar nesse mercado?
2. A análise econômico-financeira foi parte decisiva da identificação da oportunidade e do planejamento do empreendimento:
"O que você pretendia e o que desejava fazer no início da sua carreira profissional?
Quando tinha 18 anos conclui um curso técnico em edificações e pretendia trabalhar na área de construção. O engraçado é que já naquela época, com aquela idade e no auge da juventude, eu não me via trabalhando para terceiros e já sonhava com meu próprio negócio. E, como para ser meu próprio patrão precisava montar uma construtora, o que exige muito dinheiro, comecei com o que apareceu mais à mão e que não exigia, de imediato, muito capital: trabalhar com a minha namorada, hoje esposa, com animação de festa infantil. Mas, o plano Sunab dificultava a compra de bebidas para as festas, o que fez com eu abrisse uma pequena adega, do tamanho de uma garagem, o que acabou revelando o meu lado empreendedor"
3. O crescimento do seu negócio se baseou na acumulação de capital próprio:
"Sempre acreditei que a propaganda é a alma do negócio. Às vezes, o que faturávamos em uma semana, era investido em espaços na mídia."
4. O empreendedor não entrou num mercado existente para concorrer com empresas estabelecidas. Partindo de um conhecimento empírico do mercado e dos concorrentes, o empreendedor posicionou seu negócio num novo mercado, até então inexistente, realizando uma "destruição criativa":
"Como é este mercado hoje? Está aquecido? Quais são os consumidores? O que eles buscam?
Hoje, com os seus 35 milhões de cães e 15 milhões de gatos, o mercado brasileiro de pets é um gigante em números de bichos, ocupando o segundo lugar mundial do setor, atrás apenas dos Estados Unidos. Porém, ainda tem muito a crescer: é um setor que desde 2003 cresce a taxas entre 5 e 10% ao ano. Para se ter idéia, em 2007, os produtos para os bichinhos de estimação movimentaram a quantia de US$ 4,1 bilhões no país. É nada perto do faturamento mundial: só a rede de megalojas Pet Smart fatura isso sozinha por ano. Nossos consumidores são, antes de mais nada, pessoas que amam seus animais de estimação e os tratam verdadeiramente com o mesmo respeito que dão aos demais membros da família. Por esta razão estão sempre em busca do que de há de melhor para oferecer aos seus amiguinhos de quatro patas
Este mercado mudou muito nos últimos anos?
Aconteceram mudanças profundas nesse mercado nos últimos anos porque o consumidor também mudou muito, está muito mais bem informado e mais exigente. Outro fator que ajudou nessas transformações foi o relacionamento cada vez mais próximo e amoroso entre o dono e o seu animal de estimação. Hoje, o consumidor se preocupa muito mais com o mix de produtos dirigidos aos pets, sua qualidade, assim como também uma exigência maior quanto aos serviços prestados e a apresentação da loja.
O que vocês fazem para atender as necessidades desses consumidores?
Somos uma empresa de relacionamentos que procura estar o mais próximo possível dos nossos consumidores. Procuramos registrar cada cliente, criar eventos que promovam uma interação ainda maior entre esses consumidores e seus filhos, com seus pets. Chegamos a detalhes como montar um estúdio fotográfico dentro da própria loja para que o consumidor que quiser o serviço possa fazer um book especial do seu animal, com o mesmo capricho e profissionalismo com que são feitos os books das modelos profissionais. Para isso, contratamos o pioneiro fotógrafo especializado em pets. Então a nossa filosofia é esta – se o cliente pensou num serviço há duas hipóteses: ou nós já o temos implantado ou vamos implantá-lo no mais breve espaço de tempo.
Costumo dizer também que as lojas do Pet Center Marginal podem ser definidas com ‘Lojas de Relacionamentos’, pela maneira com que conduzimos o nosso negócio, sempre tendo como prioridade absoluta o relacionamento com o cliente. Parece mais um clichê comercial, dito muitas vezes com pouco ou nenhum sentido. Mas, se você passar duas ou três horas dentro de uma loja, vai entender perfeitamente o espírito disso. Não falamos em preço ou liquidação, dizemos sempre: 'venha passear na Pet Center Marginal', o que é um conceito absolutamente inovador em matéria de varejo. Não canso de repetir que conseguimos unir o charme do relacionamento da empresa pequena com as facilidades oferecidas por uma empresa grande."
5. O empreendedor observou suas competências e potencialidades, desenvolvendo-as de maneira deliberada com o intuito de se preparar para a atividade empreendedora, demonstrando que estar preparado através de um adequado planejamento e desenvolvimento de competências é um elemento decisivo para que se possa administrar a atividade empreendedora:
"Muitos empreendedores acabam se abatendo nesse momento. O que você
fez para superar essa crise? ( falência do negócio anterior em que não estava tão bem preparado e capitalizado)
Pode realmente ser muito traumática para muitos. Mas, dessa experiência, eu tirei a maior lição da minha vida: eu tinha um lado empreendedor muito forte, mas precisava desenvolver o meu lado de administrador. Daí, parti para fazer curso de Administração na Unip, seguido de um MBA de Varejo na Fia/Usp, seguidos de duas extensões internacionais de curta duração de Varejo Internacional, na Europa e Estados Unidos."
Empreender é um ato de iniciar e como tal é parte da atividade administrativa. No entanto, empreender quando entendido como a criação e gestão de um negócio próprio exige vocação, competência, um adequado planejamento, mas acima de tudo, capital. Donde se depreende que Kalecki refutou Dornellas, deixando-nos com o desafio de rever seu processo empreendedor, para que se possa efetivamente desvelar e propor um eficaz processo de criação e gestão de novas empresas.
Entrevista completa com o empreendedor Sérgio Zimerman no endereço:
http://www.catho.com.br/jcs/inputer_view.phtml?id=10760